sexta-feira, 12 de maio de 2017

Momento do cortejo da queima das fitas.
Instante inevitável de recordações diversas.
Tempos diferentes de estudante, quão iguais.
Isabel era moça como eu, ambos caloiros.
Finalmente conseguida a nossa libertação.
Um primeiro ano de outros de vida.
Cabelos negros longos e esvoaçantes.
Olhava-a com voracidade juvenil.
Isabel sorria, sabendo o que sabia de mim.
Não era fácil conquistar caloiras aos chefões.
Tinham carro, dinheiro no bolso e preservativos.
 Um dia, Isabel, convidou-me para ir à praia.
Terra onde nasceu e cresceu, sabendo-se.
Chovia e ficamos no seu carro por instantes.
Sim!
Carro, algo que só muito mais tarde consegui.
Uma aberta da chuva e fomos caminhar na areia.
Olhamo-nos e beijamo-nos, serenamente.
Isabel já namorava com ancião bem colocado.
Disse:
- Quero que saibas que gosto de ti.
Disse-lhe:
- Então porquê o Zé Manel, assim se chamava.
Olhou-me de novo e beijou-me forte.
Sentamo-nos no areal, despedido de gente.
Senti o seu calor e ousei tocá-la, sentindo-a.
Deitou-se no areal e murmurou em surdina:
- Tenho o Zé Manel, mas quero-te primeiro.
Olhei-a enquanto a vi tirar a sua cuequinha.
Perdi-me no espaço e no tempo, sorrindo.
Deu-ma e ainda hoje a guardo comigo.
- Vem!
- Faz amor comigo e divertir-nos.
Agarrei-me a ela e beijei-a esfomeado.
Novatos nestas coisas, fomos sorrindo.
Finalmente estávamos um no outro.
Ouvi o seu murmurar, de novo:
- Estás dentro de mim, que bom!
- Tão quente Isabel…que bom!    
Uma vez, duas…um infinito de vontades.
Isabel?
Encontrei-a mais tarde na vida, já mãe.
Olhamo-nos, sorrimos e ficou a vontade.
A vontade de um dia…ser de novo, nós!    

1 comentário:

  1. E como sabe bem fazer amor sobre a fresca ( ou quente) areia da praia
    .
    Feliz Fim de semana.

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